Os carmelitas surgiram dos cruzados estabelecidos no Monte Carmelo da Galiléia no século XII. Ali estão no início do século seguinte “ao exemplo e imitação do santo e solitário homem Profeta Elias, junto à fonte que de Elias leva o nome, em cubículos como colméias, onde como abelhas colhiam o mel divino da doçura espiritual” (Jacques de Vitry, Historia Orientalis, c. LII). Tanto na época como depois, os carmelitas nunca deram a alguém em particular o título de fundador, permanecendo fiéis ao modelo de Elias, ligado ao Monte Carmelo pelo episódio narrado em 1Rs 18, 20-45 (sacrifício e nuvenzinha) e pela tradição patrística greco-latina. Construíram uma capela e a dedicaram a Maria, Mãe de Jesus. Isto fez com que surgisse neles o sentimento de pertença a Nossa Senhora como Senhora do Lugar. Dela tomaram o nome e a ela deram os atributos dados ao fundador e padroeiro. Em seguida o elemento mariano foi enriquecido. A “forma de vida” – de acordo com o “propositum” manifestado pelos eremitas – foi dada num ano não sabido entre 1206 e 1214 pelo patriarca de Jerusalém Santo Alberto. Ele, porém, residia em São João de Acre. Antes de ir para a Terra Santa, tinha sido bispo de Vercelli. Parece que, por causa das conhecidas restrições do IV Concílio do Latrão, se julgou oportuno também pedir a confirmação pontifícia. Esta foi concedida pelo Papa Honório III em 30 de janeiro de 1226.
Elias foi um importante profeta do século IX a.C., do reino de Israel, que defendia o culto de Deus durante o reinado de Acab, onde se adorava o deus Baal, que era considerado um culto idólatra. Depois de denunciar Baal e os seus falsos profetas no monte Carmelo, ao fazer descer fogo sobre um sacrifício, Elias teve de fugir ao rei Acab, passando a viver numa gruta no deserto, onde seria alimentado por um corvo enviado por Deus que lhe trazia pão.
A ligação íntima entre Deus e Elias se manifestou por diversas vezes. De Elias se diz ter sido o primeiro homem a ressuscitar outro homem (uma criança que tinha morrido à fome), entre outros milagres realizados, como fazer chover depois de três anos de seca e controlar as correntes do rio Jordão. Todos estes episódios valeriam mais tarde as comparações de Jesus Cristo e de São João Batista a Santo Elias.
Elias não terá sequer morrido. Enquanto caminhava com Eliseu, Elias terá sido levado para os céus numa carruagem de fogo puxada por cavalos de fogo, deixando Eliseu como o seu sucessor.
A história do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo
O nome “escapulário” tem origem no latim “scapula”, que quer dizer armadura ou proteção, se referindo também à escápula, osso localizado na região dos ombros e acima do tórax humano. Sua história tem ligação com a Ordem dos Carmelitas e, principalmente, com Simão Stock, homem de fé e grande devoto de Nossa Senhora. Em 1251, ele orava pedindo um sinal de proteção à santa. Eis que foi atendido, recebendo dela um escapulário com a promessa de proteção: “Recebe, filho amado, este escapulário. Todo o que com ele morrer, não padecerá a perdição no fogo eterno. Ele é sinal de salvação, defesa nos perigos, aliança de paz e pacto sempiterno”.
Por isso, na época, escapulário era um avental usado pelos monges durante o trabalho, com o objetivo de não sujar a túnica. Colocado-se, assim. sobre os ombros, é uma peça que, ainda hoje, todo carmelita usa. Todavia, com o tempo, adaptou-se para o que conhecemos: duas imagens unidas através de um cordão, que pode ser de pano, barbante, aço, ou qualquer outro tipo de material. O escapulário é um símbolo da religião cristã católica. Por isso, não deve ser usado como um simples acessório. Há de se ter consciência de que é muito mais que isso, envolvendo proteção e resignação da fé perante Nossa Senhora e Jesus Cristo. Sendo assim, as imagens mais comuns em um escapulário são as de Nossa Senhora e do Sagrado Coração de Jesus, além de Nossa Senhora do Carmo, que também faz parte da história de origem do objeto.